Crônicas, Amor & Sexo

Sobre o Amor Que Ficou e Eu Não Quero Que Vá Embora

Não se trata mais de não conseguir viver sem ti. Se trata de não querer.

Hoje me deu saudade de ti, mais do que o normal. Estava indo pra casa quando percebi um casal na parada. Eles estavam com os corpos envoltos: ele com os braços na cintura dela e ela com os braços sobre os ombros dele.

Os rostos estavam colados. Eles sussurravam algumas coisas, provavelmente algumas juras de amor. Se beijavam entre elas e sorriam. O ônibus dela chegou, os rostos murcharam. Ela fez beiço, mas entrou no ônibus. Ele levou ela até a porta e ficou lá, fazendo gracinhas e olhando ela até o ônibus ir embora.

Imagem: We Heart It
Imagem: We Heart It

Isso me lembrou a gente. Lembrou como ficávamos tristes na hora de se despedir. Lembrou como ficávamos colados, abraçados, de mãos dadas. Lembrou dos passeios, dos filmes e dos dias inteiros infurnados no teu quarto.

Lembro das promessas que a gente fez, mas não cumpriu. Não fizemos amor na beira, nem fomos passar aqueles três dias de paz e preguiça em uma casa qualquer alugada em alguma praia. Não experimentamos a comida daquele restaurante que sempre quisemos ir, mas que, como era longe das nossas casas, sempre desistíamos. Não fizemos aquelas tattoos cheias de significados secretos e únicos pra gente.

Não fomos no teatro juntos, nem completamos nosso scrapbook. Não revelamos algumas das 500 mil fotos que tiramos. Não compramos um daqueles murais de fotos e recados pra colocar no teu quarto. Não fizemos muitas coisas e elas me dão um nó na garganta. Deve ser a saudade que sinto, inclusive do que a gente deixou de viver.

Essa melancolia toda é a saudade. É o amor que ficou, que não quer ir embora. É eu que descobriu que até pode viver sem ti, mas que não quer. É o eu que depois que brigamos pintou, tocou violão, conversou com as amigas, trabalhou muito, estudou pra caramba, dormiu e viu séries como se não houvesse sol na rua; e ainda assim teve tempo pra pensar que tinha tempo sobrando e que podia estar contigo.

Imagem: We Heart It
Imagem: We Heart It

É o eu que saiu pra dançar algumas vezes, que leu muito, que foi pegar um cineminha sozinha, que falou pelos cotovelos com uma penca de gente nova que conheceu. É o eu que viajou uns dias pra longe de tudo e voltou renovado. É o eu que cortou o cabelo, mudou a cor das unhas e passou batom na boca; e pensou que é uma pena que tu não estivesse ali pra acompanhar tudo. É o eu que descobriu que, apesar da saudade, consegue viver sem ti e sorrir por aí.

Não se trata de não poder te esquecer. Eu consigo. Não entenda errado. Só se trata de eu não querer viver sem ti, sem a gente. Estou te escrevendo, pagando pra ver e torcendo pra ouvir um “eu também”. Sem vergonha alguma e cheia de amor genuíno pra te acolher de volta.

20 anos. Gaúcha, webwriter e futura publicitária. Louca por desafios, intensa e impaciente. Ama muito, odeia muito. Às vezes, ao mesmo tempo. Acredita que o amor, principalmente o próprio, supera tudo. |
Instagram: @brutesch

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