Dicas Para Assistir Empoderamento Feminino

She’s Beautiful When She’s Angry – Um Documentário Empoderador

Produção: Mary Dore, Nancy Kennedy |  Ano: 2014 |  Direção: Mary Done | Elenco principal : Kate Millet, Judith Arcana e Ellen Willis

Shes beautiful when shes angry
Imagem: M de Mulher

O documentário “She’s Beautiful When She’s Angry” mostra, durante sua duração de uma hora e meia, a luta de mulheres do movimento feminista nos anos de 1966 a 1971, nos EUA.

A narrativa do documentário é feita por veteranas norte-americanas do movimento feminista daquela época. Elas contam abertamente sobre situações em que as mulheres eram fortemente oprimidas e não tinham voz.




ASSUNTOS DA PAUTA FEMINISTA NEM TÃO ATUAIS

Embora o longa tenha enfoque no passado, mostrando bem as dificuldades das mulheres em ter seus direitos naquela época, a situação de opressão à mulher e de luta pelo empoderamento feminino continua ainda hoje. Por isso que digo que a definição para esse documentário é: assustadoramente atual

Temas como aborto, estupro, sexualidade feminina, contracepção, esterilização, maternidade, liderança e libertação pessoal eram alguns dos assuntos abordados e trazidos à discussão pelas feministas já naquela época.  Elas criaram reuniões onde as mulheres falavam de suas vidas e sobre as opressões que tinham em comum. A partir desse momento, foi criado o movimento Women’s Liberation – Libertação das Mulheres.

Em resposta a uma pergunta de um homem: ” O que posso fazer pela libertação das mulheres?” Use um vestido. Use um vestido que você mesmo fez ou que comprou numa loja. Use um vestido, e por baixo deste vestido use um elástico ao redor de sua cintura e embaixo de seus mamilos. Use um vestido, por baixo deste vestido use um absorvente . Use um vestido e sandálias de salto alto. Use um vestido com elástico e absorvente por baixo e salto nos pés e caminhe pela avenida Telegraph.”

Honor Moore  – Poems From The Women’s Movement 

“Desafiávamos conceitos de masculinidade, desafiávamos conceitos de feminilidade, falamos sobre cor da pele, como as jovens negras  usavam creme a fim de fazer sua pele ficar mais clara.”

 Fran Beal – Ativista feminista veterana

O feminismo dos anos 60 e 70 e seus recortes

Sabe aquela ideia popuar de que “só entende quem passa/passou por determinada situação“? Pois é, isso é uma grande verdade na maioria das situações e se encaixa perfeitamente para explicar os recortes dentro do movimento feminista.

Movimento Feminista - 1960
Imagem: Mar de Mármore

As feministas da época eram basicamente mulheres brancas de classe média alta. Elas lutavam pelo empoderamento feminino e a conquista dos direitos das mulheres como um todo, mas isso não era o suficiente.

Dentro do movimento, existiam (e existem) mulheres com realidades diferentes e, logo, necessidades diferentes: mulheres negras e/ou homossexuais, por exemplo. Essas mulheres não se sentiam bem representadas pelo movimento já que suas necessidades acabavam nem sendo consideradas a entrar na pauta feminista.

“O movimento das mulheres criou o lema: “O pessoal é político.” Mas quando você é lésbica e quer falar sobre relacionamentos lésbicos em oposição a relacionamentos heterossexuais ninguém quer ouvir.”

Karla Jay – Ativista veterena 

A maioria das feministas não compreendiam e nem se davam conta do que suas irmãs de realidades diferentes passavam e acabavam invisibilizando as diferentes lutas dentro do feminismo. E, assim, surgiram os recortes, como o racial.

O recorte racial dentro do movimento feminista

O termo “feminista” gerava certo desconforto nas mulheres negras que faziam parte do movimento porque elas não se sentiam representadas.

“Estou envolvida na luta pelos direitos das mulheres porque acredito que as mulheres estejam em desvantagem. De fato, as negras bem mais que as brancas. As mulheres que passaram suas vidas trabalhando nas cozinhas de outras mulheres têm um tipo diferente de deficiência da mulher que foi oprimida pelo sexo de outras formas.”

Eleanor Holmes Norton – Ativista feminista veterana

Durante as reuniões, nas rodas de conversas, as divergências começaram a ser percebidas. Como falei antes, a realidade delas era outra e as dificuldades que passavam iam muito além do fato de serem mulheres. Havia o preconceito por serem negras.

“Queridos irmãos, pobres mulheres negras decidem por si se terão ou não terão filhos. Os irmãos militantes negros estão pedindo às mulheres negras que não controlem a natalidade porque é uma forma dos brancos praticarem genocídio sobre os negros. Bem, verdade. Mas as mulheres negras dos Estados Unidos têm que lutar contra a nossa própria experiência de opressão. E ter muitos filhos nos priva de ensiná-los a verdade, de dar suporte aos nossos filhos, e de parar a lavagem cerebral, como dizem, e lutar contra os homens negros, que ainda querem nos usar e nos explorar.”

 Poor Black Woman – The Mount Vernon Group

Então, foi criado o Comitê de Libertação da Mulher Negra e o grupo Irmãs Negras Unidas.


Se você quer entender melhor o recorte racial, fica a dica: assista a esse vídeo da JoutJout com a Nátaly, do vlog Afros e Afins


Por que assistir o documentário

O documentário acaba nos obrigando a refletir sobre o fato do movimento feminista vir muito além do que imaginamos e sobre o quanto ainda temos que alcançar. A luta pela igualdade vem desde o período do Sufrágio Feminino no início do século XX, onde mulheres reivindicavam o direito ao voto, por exemplo.

Women's Liberation 1
Imagem: Pinterest

Essa luta não é recente e está longe de acabar, e são filmes como esse que nos fazem problematizar o papel da mulher na nossa sociedade atual, que se mostra ainda conservadora, machista e racista.

She’s Beautiful When She’s Angry é um documentário atual, inspirador e empoderador. Por fim, parafraseando Simone de Beauvoir:

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância.”

 

20 anos. Estudante, futura assistente social, gosto de tudo que me faça sorrir.
Instagram: bythaisgomes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *