Crônicas, Amor & Sexo

Se Você Soubesse

Se você soubesse que, toda vez que decide partir, meu coração emudece, minha garganta fecha, meus olhos se umedecem. Minha cama fica fria, vazia, sem vida, gigante. Eu fico pequena, diminuta, encolhida. Fico congelada, repassando todos os nossos instantes na vã tentativa de revivê-los, de te ver me olhando – só mais uma vez –  como me olhava antes.

Se você soubesse que fico vazia sem tua companhia, que sempre me transborda, conforta, me faz ser alguém melhor. Fico buscando o que fazer, algo que ocupe minha mente o suficiente para não lembrar que queria estar era com você. Onde fosse, fazendo qualquer coisa: olhando um filme, estudando, dormindo, tomando banho. Ou mesmo toda juntas.

Se você soubesse que uso a todo tempo tua roupa, na expectativa de sentir teu cheiro, reviver teu jeito. Mas, tudo o que encontro é a mim nessa situação. Tudo o que encontro é mais e mais saudade. É desespero em perceber que eu preciso mesmo é do teu peito, o resto é vaidade.

Se você soubesse o quão sou tua, completamente e só tua, mais do que já fui de qualquer outro alguém – se é que fui -, mais do que até sou minha. Fico pensando em minha vida sem ti, na tua sem a minha. Caminhos que se cruzam para depois tomarem direções diferentes. Algo que parece inevitável na vida das outras pessoas, nas nossas, me parece sem sentido. É necessário mesmo ter que viver assim?

Se você soubesse o quanto eu queria voltar no tempo, fazer desnecessário o arrependimento, desfazer cada erro. Se pudesse sentir, aqui de dentro, o que é que tanto tento te traduzir, te fazer entender, te convencer (mesmo não tendo palavras que expliquem, ao mesmo tempo). Se pudesse perceber que eu te dou o meu melhor, que tu me dá o meu melhor, que eu acredito tanto em nós.

Ah! Se você soubesse que meu coração e minha alma esperam a tua batida na porta para abri-la, me jogar nos teus braços, encher tua boca de beijos e juntos ficarmos enrolados. Falando sobre o dia, emburrados um com o outro por alguma coisa boba, rindo de uma brincadeira nossa, fazendo planos para amanhã… O que fosse. Não importa. Apenas juntos, apenas nós.

Se você soubesse o que sinto ao te ver dormir. Eu fico ali, quieta, olhando teu nariz, tua boca, teu queixo. Passo a mão no teu cabelo, cheio de cachinhos. Penso em como é bom quando te faço sorrir. Insisto em não querer dormir. A vontade é de parar o tempo para o momento de partida não chegar.

Se você pudesse sentir isso. O eu te amo que já não traduz mais esse tanto de sentimento e sensações que explodem no meu corpo quando sei que vem e escuto o teu carro em frente à minha casa, os teus passos em direção à minha porta, tua voz me chamando de amor e avisando que chegou.

E quando sei que vai embora, que tem que partir, é inversamente proporcional. O que sinto é o avesso de alegria, antônimo de contentamento, superlativo da saudade, mesmo sem sequer ainda ter chegado o adeus. É uma dor que começa pequeninha e vai tomando conta do corpo. Descontentamento que pesa na alma, pesa sobre os ombros, que me faz querer fechar a porta e reabri-la, fingindo que está recém chegando, de novo.

Ah! Se você soubesse quanta coisa boa ainda há, bem aqui, por ser vivida ainda…

20 anos. Gaúcha, webwriter e futura publicitária. Louca por desafios, intensa e impaciente. Ama muito, odeia muito. Às vezes, ao mesmo tempo. Acredita que o amor, principalmente o próprio, supera tudo. |
Instagram: @brutesch

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