Crônicas, Amor & Sexo

Respeito é Bom: Eu, Sua Mãe e Sua Irmã Gostamos

Respeito é Bom: Eu, sua mãe e sua irmã gostamos

Lá estava eu, semana passada, às seis da manhã indo pra faculdade. Milagrosamente, o ônibus estava nem vazio nem cheio. Algumas poucas pessoas estavam de pé, entre elas eu e um infeliz, que devia ter seus vinte e poucos anos.

Vou começar falando sobre minha vestimenta: legging, blusa de manga 3/4 com uma gola pouco decotada e casaco amarrado na cintura. Cá entre nós, a roupa que qualquer pessoa usa não dá razão pra alguém “comer” alguém com os olhos, né?! Ter o bom senso de não olhar inconvenientemente para os outros é parte da educação que vem de casa. Mas, mesmo assim, cito que roupa usava para mostrar que mesmo com uma “vestimenta mais reservada” e com “nada a mostra”, nós mulheres sofremos assédio sim.

O cara ficou me olhando dos pés à cabeça, durante um bom tempo. De primeira, achei que pudesse estar me equivocando, mas não. Não fosse ele descer em seguida, eu teria perguntado se estava – perdoem o termo – cagada, para ele ficar me olhando daquele jeito. Juro que defendo o direito da gente olhar para onde quiser, mas tudo tem limite. O comportamento do cara foi nojento, assim como o de qualquer homem sem noção que faz o mesmo.

Se tem uma palavra para definir como me sinto toda vez que isso acontece é invadida. Eu não quero que me olhem e fiquem imaginando intimidades com meu corpo, assim, descaradamente. Eu não quero fazer parte disso. Não estou consentindo com esses olhares e expressões faciais facilmente decifráveis e ofensivas. Fico extremamente constrangida, desconfortável e irritada, assim como muitas mulheres que passam por isso todo dia.

Homens, vocês podem olhar. A gente também olha. Mas, vocês não têm o direito de nos desconsertar com esses olhares. Se percebemos e nos sentimos mal, é por que alguma coisa está bem além do limite e até da educação que vocês deveriam ter recebido, mas pelo jeito não tiveram. Tenham bom senso! Vocês podem elogiar também, mas, atenção: elogiar é diferente de constranger. Não nos chamem de “gostosas” ou qualquer outra coisa que só a quem damos liberdade pode nos chamar assim. Respeitem nosso espaço, nosso corpo, nosso bem estar psicológico e físico!

Já faz algum tempo que decidi não calar. Ao ser assediada, nós mulheres não deveríamos ficar constrangidas, vocês é que deveriam ter vergonha! Se forem me ofender com um comportamento abusado, podem se preparar para as pessoas que olharão quando eu soltar um sonoro e bom “vai tomar no cu, seu tarado”! E, moças, não exitem em falar e soltar toda essa indignação pelos abusos – pequenos ou grandes – que sofrerem.

Aos que enxergaram no meu relato apenas um cara habitualmente olhando para uma mulher, eu digo que não é “apenas”. Essa autoconfiança masculina para constranger alguém que nem se conhece é a base de uma cultura que oprime e ensina que as mulheres devem simplesmente lidar com o desconforto e adversidades por serem mulheres. Que ensina que abusos não serão evitados ou punidos, pois, já que é algo tão natural homens nos “comerem” com os olhos, tudo bem! (OI????) Não! Não é natural! Vocês precisam de tratamento, se pensam assim. São idiotas, no pleno sentido da palavra. Não conseguem descentrar a questão de si, entender o quanto nos ofendem  e o quão repugnantes se tornam perpetuando pensamentos e comportamentos como esse.

Pensem antes de olhar ou abrir a boca à mulher ao seu lado. Respeito é bom e eu, a sua mãe e sua irmã gostamos! 😉

20 anos. Gaúcha, webwriter e futura publicitária. Louca por desafios, intensa e impaciente. Ama muito, odeia muito. Às vezes, ao mesmo tempo. Acredita que o amor, principalmente o próprio, supera tudo. |
Instagram: @brutesch

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