Crônicas, Amor & Sexo

Por Que o Amor Virou Um Campo de Batalha?

O amor – aquele que fica depois que a paixão passa, depois que o querer estar junto a todo momento se esvai, depois que o estômago para de sentir aquela bagunça só de pensar em ver o outro, depois que erros são cometidos – virou um campo de batalha. Virou um jogo de quem está certo ou errado, de quem tem os melhores argumentos, de quem será o servido da relação.

O impasse se resume, em um primeiro olhar leigo e mesquinho, a quem vai sair por cima, com a razão, sem culpa, livre da consciência pesada. Quando, na verdade, quase sempre e em algum momento os dois são culpados, já que um relacionamento se constrói em comunhão. Tudo não passa de perda e desgaste excessivo para duas pessoas que podiam ser muito felizes juntas, mas decidiram colocar o ego, seu belo umbigo, antes do cuidado com o amor e com o outro.

O pior que as marcas de um relacionamento assim são carregadas para os próximos, que tendem a já começar errado e terminar da mesma maneira. São poucos os casais que realmente se importam e entendem que um relacionamento forte se constrói com o fazer sentir, o fazer confiar e o saber perdoar.

O fazer sentir é fortalecer no seu parceiro o sentimento de ser alguém especial, amado por você. Isso envolve mais do que palavras. Talvez seja necessário abrir mão de algumas coisas, fazer esforços e dedicar seu tempo. No começo do relacionamento, quando a outra pessoa ainda é novidade, fazemos isso sem pensar duas vezes: nos declaramos, entregamos provas de amor e tudo o que for possível. Mas, com o tempo isso é esquecido.

O fazer confiar depende fortemente do fazer sentir. Se você não se sente especial para alguém, se não se sente amado, por que a confiança se solidificaria? Por isso, no começo do relacionamento, quanto mais especial e único você se sente, mais você confia cegamente no parceiro: ele realmente te ama e se importa com você.

Tenha certeza que se, em algum momento, um deixa de se sentir único para o outro, a confiança diminui e talvez ceda lugar para questionamentos, ciúmes inadequado e um perfil desconfiado. O relacionamento começa a virar uma caçada ao motivo pela suposta falta de amor, cuidado e atenção do outro. Na maioria das vezes, começamos a achar que existe uma outra pessoa, um motivo escondido por trás disso tudo. O desgaste começa com a desconfiança, a implicância, as discussões.

Por fim, mas não menos importante, entra o saber perdoar. Ao invés de simplesmente achar um culpado e apontar os erros, é preciso conversar, compreender e tentar resolver tudo (e isso deve partir dos dois lados, se realmente quer se dar certo). Parece que isso não existe mais. As pessoas não querem mais assumir sua parcela de culpa e muito menos perdoar o outro. O que interessa é o que elas sentem, o quanto se sentem prejudicadas e fim.

Por isso, cada vez mais relacionamentos acabam, e começam, e acabam novamente. Por que as pessoas não aceitam mais as falhas umas das outras, não aceitam conviver com os defeitos do parceiro: elas querem que seja do jeito delas e para o bem delas. Ponto.

Bem-vindo à era do egocentrismo, da falta de altruísmo e dos amores descartáveis! As relações viraram um campo de batalha que torna todo e qualquer bom sentimento em líquido. A única coisa sólida feito rocha é o ego e o orgulho sem fim que pisoteiam e espancam os relacionamentos.

E você? Vai viver uma batalha ou um amor?

20 anos. Gaúcha, webwriter e futura publicitária. Louca por desafios, intensa e impaciente. Ama muito, odeia muito. Às vezes, ao mesmo tempo. Acredita que o amor, principalmente o próprio, supera tudo. |
Instagram: @brutesch

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