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Crítica | Filme Perfeita É A Mãe (Bad Moms)

Nota: ✮✮✩✩✩


Gênero: Comédia | Produção: EUA | Ano: 2016 | Direção/roteiro: Jon Lucas e Scott MooreElenco Principal: Mila Kunis, Kristen Bell, Kathryn Hahn e Christina Applegate

Imagem: Divulgação
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Perfeita é a mãe (Bad Moms, título original) é mais uma comédia roteirizada por Jon Lucas e Scott Moore, os mesmos de Se beber, não case e muitos outros filmes do gênero. Por isso, o filme ter personagens rasos e mal desenvolvidos, muitas piadas idiotas que infantilizam a comédia e uma infeliz e ignorante tentativa de desconstruir o sexismo e a ideia tradicional de maternidade não é de se surpreender.




Resumo do filme perfeita é a mãe

Mila Kanis interpreta uma mãe que está cansada das suas obrigações tanto maternas quanto com o trabalho e a vida amorosa para manter um casamento fracassado. Ela acaba se juntando a outras duas mães (Kristen Bell e Kathryn Hahn) para se rebelarem contra todo esse fardo, e se tornarem “bad moms” (título original do filme). Elas buscam liberdade, de maneira não muito diferente do que os personagens em “Se beber, não case”.

Personagens Rasas e Tentativa Infeliz de Empoderamento Feminino

O filme se aproveita da frase “Lugar de mulher é onde ela quiser”, prometendo entregar uma comédia que vai além dos esteriótipos que todo mundo já conhece e está cansado de ver nas telonas, o que não acontece!

As três personagens principais são extremamente limitadas, já que são rotuladas por uma ou duas características e não se desenvolvem além disso: Mila Kunis é a mãe atrasada (tem tanta coisa para fazer que não faz nada direito, basicamente isso), Kristen Bell é a submissa ao marido mandão e machista, que não se diverte, e Kathryn Hahn é a divorciada ninfomaníaca e mãe relapsa, que só se diverte. Ponto. Essas são as personagens principais! Quanta complexidade!

As atrizes tentam levar as personalidades das personagens para além disso, mas não conseguem. O resultado é uma interpretação bastante ruim e meia boca, afinal: não há muito o que ser interpretado, não há complexidade alguma, as personagens não são interessantes.

Imagem: Divulgação
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A trama mostra que essas mães cansaram de tentar ser perfeitas, de tentar atender as expectativas da sociedade sexista. Até aí okay! Mas, a sequência é que elas simplesmente jogam tudo para cima, como se fossem adolescentes irresponsáveis. Não há um problematização que possa ser levada a sério ou um discurso empoderador. Pelo contrário!

Além de serem infelizes ao colocarem irresponsabilidade em destaque e como solução para o esteriótipo infeliz de maternidade perfeita, os roteiristas mais construíram ideias sexistas do que qualquer outra coisa:

1 – Em várias cenas, ser mulher é usado como termo depreciativo e ser homem elogio. Exemplo: em um surto de irritação com o marido, a personagem de Mila Kanis solta um “deixe ser mulherzinha” ou algo do gênero, no estilo “seja mais homem”. Não tenho o que dissertar sobre isso, porque não acredito que as pessoas ainda não saibam qual o problema desse tipo de expressão.

2 – O filme vende o empoderamento, para a esposa submissa, como passar a ser controladora e tratar o companheiro feito capacho. Ou seja, colocá-lo no lugar triste e injusto em que ela estava. É apenas trocar o opressor e o oprimido de lugar, ao invés de acabar com a opressão.

3 – Não vemos uma maternidade responsável em conjunto com uma paternidade responsável como solução para a sobrecarga que essas mulheres enfrentam. Os pais não assumem participação ativa. Aliás, há um pai que assume a paternidade e ele é um coadjuvante apresentado como o diferentão, super especial por simplesmente assumir a criação da filha. É um heroi e – como se não bastasse – é o “príncipe encantado” que garante um final feliz com muito romance para a personagem de Mila Kunis, a “mãe principal”.

Imagem: Divulgação
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4 – Aqui entra o ponto que comentei por último, a personagem principal precisa de um amor verdadeiro para viver feliz para sempre, já que ela se divorciou de um babaca que a traía. Tentaram mostrar que ela era bonita, que conseguiu ser amada por outra pessoa, mas acabaram reforçando a ideia de príncipe para um final feliz. O filme é para desconstruir, certo? Poderiam e deveriam ter aproveitado a oportunidade para quebrar com essa ideia.

Resumindo: um tema tão sério, atual e importante é tratado com desleixo, superficialidade e falta de respeito. O filme é besta, em poucas palavras. É aquele tipo de filme que se assiste quando você não tem mais o que ver na televisão aberta e do qual acaba fazendo comentários ruins durante ele, porque é surreal como o filme é bobo e nada envolvente.

Fotografia, Trilha sonora  e outras considerações técnicas

A fotografia do filme é boa, mas acho que tem uma luminosidade excessiva em alguns momentos porque é perceptível a superficialidade, não soa com naturalidade.

 A trilha sonora do filme é bem atualizada, com músicas pop como I Love It (Icona Pop). O problema é que é usada em excesso, e esse uso tem picos durante o longa. Não é algo suave/hamônico e usado com continuidade no decorrer do filme.

Quanto ao roteiro, além de toda a problematização que já comentei, é totalmente desritmado. Em uns momentos, a história é extremamente cômica e, em seguida, tem uma transição bruta e repentina para uma interpretação mais sentimental. Combinando essa transição mal feita, às personalidades rasas das personagens e à interpretação limitada o resultado é que as cenas que deveriam comover e mexer com o emocional não funcionam!


O filme Perfeita é a mãe tem estreia nacional marcada para o dia 11 de agosto. Minha dica é: pagar para assistir esse filme no cinema é rasgar seu dinheiro. Invista em um filme melhor!

 

20 anos. Gaúcha, webwriter e futura publicitária. Louca por desafios, intensa e impaciente. Ama muito, odeia muito. Às vezes, ao mesmo tempo. Acredita que o amor, principalmente o próprio, supera tudo. |
Instagram: @brutesch

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